A MULHER DO NINJA

A MULHER DO NINJA

Marcelino Rodriguez

Natanael ficava bastante curioso de saber como o seu mestre, o Ninja, vivia com Madalena trinta anos numa harmonia que parecia que o casal havia treinado por séculos. Um dia, aproveitando que o Ninja tinha se dado ao luxo de tomar uma chandon a mais, resolveu descobrir o segredo do casal...
— Mestre, posso perguntar uma coisa?
— Pode, gafanhoto.
— A dona Madalena nunca discutiu com o senhor?
— Uma única vez, para me pedir em casamento. Não tive escolha.
— Como assim, mestre?
— Madalena passou comigo fome, frio, calor, duas guerras mundiais, balas perdidas, seqüestros, inundações, terremotos, ameaça de apocalipses, pesadelos, falências e um dia, duas semanas após eu ganhar minha fortuna como Ninja Maior, ela me chamou para discutir relação, trazendo uma dessas chandons que você me vê bebendo hoje. Lembro bem: era uma noite de lua cheia. Foi quando ela disse:
— Amor, vamos discutir a relação?
— Tá bom, amor, pode dizer onde eu assino – foi tudo que eu disse, gafanhoto. Madalena também é da raça das Ninjas.

NOVA APRESENTAÇÃO DE AMERICA, PAIXÃO IMORTAL

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APRESENTAÇÃO DO AMIGO PAULO CESAR PARA A 3 EDIÇÃO DO LIVRO “AMERICA, PAIXÃO IMORTAL”
” Torcer pelo America vai muito além da bola, do jogo, e muito mais além dos resultados…
Torcer pelo America seria como se recusar a tirar da memória aquele mesmo aroma antigo das ruas e calçadas cariocas, e respirá-lo, e ao ver o time entrando em campo sentir a mesma felicidade de bater bola no terreno baldio ao lado, como fazíamos antigamente, com as pipas cruzando o céu sobre as nossas cabeças, nas encaloradas porém sempre agradáveis tardes suburbanas…, atmosfera de plácidos cenários que não existem mais…
Torcer pelo America é e será para sempre amar a beleza do simples, saborear o passado glorioso como se tivesse sido ontem, e por ele reunir forças para resgatá-lo a qualquer momento…
Torcer pelo America é morrer de saudades do antigo e tão simplório Estádio do Andaraí…
Neste livro, Marcelino retrata exatamente esta maneira de ser, ou seja, um perfil de torcedor que tem apenas no inconsciente a resposta do porquê ser americano, já que materializá-la traduzindo em palavras é algo que se perde em meio a tanto sentimento.
Viajem então nesta fantasia real e tão bem conduzida pelo excelente autor, que mais uma vez
nos brinda e mais uma vez enobrece o nosso querido America Football Club. ”

Paulo Carreira é arquiteto, empresário, torcedor do America e titular da página “America FC do Rio de Janeiro e Suas Histórias Contadas pelos Torcedores”

PREFÁCIO DO LIVRO DE POESIAS “ORAÇÃO AOS ROMÂNTICOS”

  1. Alguém já disse que o poeta toca as estrelas com a imaginação e, com elas, tece uma melodia argêntea que atinge as almas da única forma possível: a inspiração.
    Em “Oração aos Românticos” Marcelino Rodriguez procura produzir esta melodia, por meio de uma série de poemas selecionados. Além disso, resgata o romantismo – tão esquecido nos tempos que correm – que perpassa toda a sua produção, transformando-a em um verdadeiro convite: não à reflexão, mas à comunhão, pois a linguagem do coração não pede ajuda ao intelecto, mas apela para a sensação.
    Sinto que é com essa disposição que o autor convida o leitor a fruir de suas composições. Cada poema é um universo em si mesmo, pronto e acabado para o autor, mas aberto e cheio de possibilidades para o leitor. Onde o trabalho do autor termina, começa o do leitor.
    Foi essa sensação que tive ao ler a obra. Trata-se mesmo de um universo em cada poema, abrindo-se a perspectivas que só dependem da emoção para serem atingidas. Aconselho aos leitores desta obra, tão sensível, a mesma postura: estejam prontos a sentir; não refletir sobre cada poema. Procurem receber a mensagem oculta em cada composição e deixem que a intuição lhes fale como falou a Marcelino.
    Belo, inspirador, singelo e promissor é este livro que, agora, pertence ao mundo. Todo ser humano é um romântico e, portanto, o livro é para todos. Quantos vão responder ao chamado do autor, e quem sabe “orar” com ele, não podemos saber, mas podemos prever que, seguramente, centenas serão despertados naquilo que a raça humana tem de melhor e mais nobre: a força do coração.
    Jamil Salloum Jr.

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O QUE NÃO APRENDEMOS COM JESUS CRISTO

O QUE NÃO APRENDEMOS COM JESUS

Marcelino Rodriguez

Não aprendemos com Jesus quase nada. Essa é a grande verdade. Não aprendemos a grandeza e a gratidão de amar a Deus sobre todas as coisas. Não pensamos em Deus o tanto que deveríamos, senão os nossos problemas conosco e com os outros seriam menores.
Não aprendemos amar ao próximo como a nós mesmos – nossa! Como é difícil perceber que o coração que bate em mim, bate no outro. Que o sangue meu e do meu próximo, independentemente da cor da pele, é vermelho. O que faz de nós todos, pateticamente, iguais e irmãos.
Não aprendemos a rezar direito nem de manhã, nem a tarde, nem a noite. Uma vez ou outra, quando lembramos. Assim, meio bomba. E olhe lá. O Gosto mais geral mesmo é de balada, tóxico, fofoca e coisas superficiais. Oração para o senhor dos mundos, nem pensar!
Não aprendemos a humildade de colocar o interesse dos outros à frente dos nossos, sempre que possível. Estamos sempre nos colocando em primeiro plano. Não aprendemos a arte de lavar os pés e servirmos com amor.
Não aprendemos andar duas léguas, quando nos chamam a andar uma. Quando muito, caminhamos alguns metros com nosso irmão e depois o largamos, com o destino inacabado da ajuda que não demos.
Não aprendemos a dizer ‘sim sim e não não’ e vivemos dizendo uma coisa, sentindo outra e fazendo diferente nas ações das palavras que saem de nossas bocas.
Não lemos a Bíblia como ele lia e citava de cor. Não temos cultura sagrada. Gostamos mesmo é de Cinquenta Tons de Qualquer coisa. Trocamos trigo por joio com frequência.
Não somos delicados como as pombas
Se a gente aprendesse ao menos não tacar pedras e não magoar o coração alheio. Mas queremos matar e perseguir os pecadores, como se nós nunca pecássemos.
Não temos pobreza de Espírito para deixar a voz dos céus falar e trocamos a Inteligência profunda da alma interior, pela vaidade da mente mortal concreta. Acumulamos no mental tesouros inúteis.
A verdade é que Jesus não merece nossa mediocridade. E se ele ainda nos agüenta, depois de tudo que não fazemos e do que fazemos, é porque ele é Jesus, o filho de Deus, e nós, talvez apenas um projeto de salvação a caminho

O PRIMEIRO MILHÃO DE UM HOMEM

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O PRIMEIRO MILHÃO DE UM HOMEM

Marcelino Rodriguez

Naquele tempo que ganhei meu primeiro milhão, tudo era melhor, mais bonito, mais fácil. Eu vivia mais no céu do que na terra. Trocava segredos com anjos insuspeitos.

Assombrosamente bonito, poderia faturar milhões em comerciais de margarina e família feliz. Um pequeno Ás.

Ainda tinha a idade em que minha mãe me levava pela mão, de calças curtas; ia com ela pela cidade do Rio de Janeiro. Tudo era mágico. Um cheiro de fumaça aromática subia pela calçada, perto da loja de sapatos que saímos. Seria sexta-feira? Seria perto do Natal? Meu Deus, os anos oitenta ainda nem tinham chegado. Mammas e Papas faziam sucesso. Uma negra gritava, abanando o carvão.

— Milho verde. Olha o milhão.

Minha mãe teve uma inspiração divina naquele momento.

— Quer um milhão, filho?

— Quero.

Enrolado em sua própria casca, eu ia feliz com meu primeiro milhão. Eu ainda não tinha nove anos de idade. Já era uma estrela. Nasci predestinado aos grandes momentos.

05.01.2017

O MISTÉRIO DA CHAPECOENSE

O MISTÉRIO DA CHAPECOENSE

Marcelino Rodriguez

Nós vivemos num mundo que, basicamente, nos vende mentiras. Quem já saiu da idade do Chapeuzinho Vermelho e observou a humanidade filosoficamente, sabe que deve ter pouca gente no céu. Pouquíssimas. Nem nas irmandades, nem nas igrejas, nem em lugar nenhum, achamos facilmente quem nos traga um pouco de paz, alegria e felicidade. Schopenhauer estava certo ao dizer que para não nos sentirmos sozinhos e miseráveis, deveríamos recorrer a bondade dos cães.

Eu me sinto no inferno ao saber que de cada três pessoas no país em que vivo, Brasil, é quase um milagre achar alguém que compreenda as regras do sistema solar, ou que tenha sido educado para respeitar os livros como coisa sagrada. Daqui há pouco terei 80.000 livros com minhas genialidades escritas e ninguém vai saber que sou um Gênio Incompreendido. Hoje em dia, a grande arte humana é nos desprezarmos em troca de alguns cliques superficiais no celular. Parei de namorar por protesto, porque as mulheres andaram abusando sexualmente de mim, e depois me deixaram sozinho quando descobriram que eu não estava na lista dos mais vendidos. A gente já não sabe mais quem é polícia, quem é ladrão. Tem dias que olho para o céu e fico me perguntando quando é que os anjos chegam para baixar o cacete e limpar a área. Não tenho mais nenhum paciência com egos falantes, nem com o meu.

O grande caso é que no fim de semana, eu pensei, no meio dos meus infernos: “Bem, essa semana tem o jogo da Chapecoense”. Fora um dinheiro que me deviam e demoravam a pagar, não havia nenhum outro sinal de que eu pudesse ter uma felicidade qualquer. A Chapecoense era minha única perspectiva. Pois bem. Meio de madrugada e sem acreditar, fiquei sabendo que um avião da Chapecoense tinha caído com jovens e pensei que era o sub vinte, algo assim, posto que se falava em muitos jovens mortos. Eu não imaginei que aqueles jovens eram os que eu iria acompanhar durante a semana.

Os únicos seres que sinalizavam uma alegria diferente na minha semana. Os meninos da Chape não eram zumbis. E Mário Sérgio, um grande “Marginal” do futebol estava com eles. Era um Vilão querido para mim. Lembro-me vagamente até que ele já deu uns tiros nos seus bons tempos de jogador , tiros para o alto ou coisa parecida. Tinha personalidade. Coisa difícil de se encontrar hoje. Todos sabem que sou torcedor do América e esse é meu único time, o segundo de todos. Hoje, o meu segundo time no Brasil é a Chapecoense. Morreu no alto, morreu grande, sem nunca cair. E quando caiu na morte, o mundo levantou. A Chape permitiu que o planeta respirasse por instantes preciosos o esquecido senso de unidade de todos nós, pobres mortais.

No céu, Mario Sérgio deve estar dando susto nos anjos. O Mistério da Chapecoense, dessa equipe em particular, pertence a simpatia mágica dos predestinados. Vá com Deus, equipe Chapecoense. Por breves dias, talvez, você uniu os corações do mundo, tão mesquinhos, na maioria das vezes. A morte de Herói é para poucos.

01.12.2016america paixao imortal 11