TRECHO DO LIVRO “O Filho de Lady Maria”

Eu ajudo a mudar!

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Ali em cima onde escrevi Potala, sei que se não tiver uma nota de rodapé, apenas um entre cada cem mil leitores dessa obra
saberão do que se trata. Trata-se do Palácio do Dalai- Lama e centro do governo Tibetano. Foi invadindo pelo chineses em mil
novencentos e cinquenta, para tristeza geral da humanidade sadia. Pus no meu blog o banner Tibet Livre e aderi a campanha,
na qual estão também Richard Gere e outros muitos holiwhoodianos e personalidades do mundo. Como sou iniciado no Budismo
Tibetano e faço mesmo parte de seus mistérios, dói-me muito o Potala invadido. O Tibet físico em crise é muito ruim.
O espiritual nós, os que sabemos, o temos. Podem roubar-nos o espaço visível e as traças roerem velhos mosteiros, mas a força
e a magia do Tibet jamais se extinguirá, porque é parte da poesia divina, perfeitamente inteligivel para aqueles que amam e sabem
que Buda é uma manifestação de Deus,e onde pode haver maior pureza do que um encontro entre lamas, aqui ou além? Um deles,
Tulku Rinpoche, mestre da minha linhagem, nunca me viu e no entanto passou-me instruções espirituais por duas vezes. A
realidade espiritual do Tibet é como um sangue da alma, nada a pode deter. Tem a ver diretamente com mundos superiores ao
atual estágio da maioria imensa da humanidade da terra. Não foi essa invasão de todo desavisada, pois o Décimo Terceiro
Dalai-Lama já havia visto esse infortúnio em seus presságios. Pode ser uma pequenina bandeira no blog apenas, ademais
bandeira linda, porém um oceano é feito de pequenas gotas, assim como um grande incêndio feito de pequenos lampejos. O mundo
é mais pobre e mais feio com o Tibet invadido, embora o Dalai-Lama continue nos guiando na sua compaixão sem fim. Assim é.
Assim somos.
Não se pode manchar uma água corrente por muito tempo, ela escoa pelo ralo do tempo e ao fim, retorna ao que é:
pureza e força. Bandeira do Tibet, bandeira de Deus. Minha bandeira, pequenina, imensa, triste, bela e imortal.
Que saudade é essa que me dilacera e que porta é essa que tenho na alma e vou além, mais além do golfinho azul e do nariz gelado gelado? Bandeira do Tibet, bandeira de Deus. Minha bandeira, pequenina, imensa, triste, bela e imortal no topo do mundo.

A COPA É DE LA MADRE
A COPA É DE LA MADRE

Marcelino Rodriguez

A coisa lá na aldeia era assim em tempos distantes. Meu tio tinha um
olhar grave e melancólico e bigodes reais e quando abria o jornal a gente já
sabia
que tinha morrido muitos homens porque os patos pulavam para dentro
das panelas e eram cozidos apenas com as orações da minha tia para
a mãe do céu. Quando vi quem era o técnico da seleção espanhola eu
havia percebido que o mundo estava com um problema sério. Era o tio.
Houve batalhas grandiosas, como aquela que uma prima paraguaya disse
que iria sair pelada na praça e o Paraguay lutou enlouquecido até o ultimo
segundo com seus valorosos guerreiros chorando porque não iam poder ver a prima nua. Também
houve aquela batalha do Uruguay, o valente, encurralando os alemães e mostrando a força da
raça. Sim, a Argentina quando caiu também foi nobre diante dos alemães;porém, a madre
vingou
os argentinos, fazendo eles, os alemaes de touros, um olé fabuloso que ficará no história.
A maneira do Vila comemorar os gols, sim, eu já sabia. Por fim vieram os holandeses
armados até os dentes, mas os deuses Casilas, o milagroso, e Iniesta iriam fazer com que
a copa viesse, e veio, sorrindo para la Madre. Foi como se todas as portas do céu se
abrissem de repente e o mundo ficou claro e lindo. Sim, eu sei, a razão é toda de voces
se não viram a copa que eu vi, mas nós ,os espanhóis, nunca queremos a razão;preferimos a
loucura, porque no amor é o mais sensato. A copa é de La Madre Espanha, a fabulosa, a
santa, a heróica Espanha, nossa madre que amamos. E amamos porque a temos no sangue e na alma.
O céu está feliz e a terra mais bonita que nunca.
Nasce um novo tempo.

13.07.2010.

TRECHO DO LIVRO “O FILHO DE LADY MARIA”, POST DO BLOG E ADESÃO DO AUTOR A CAMPANHA MUNDIAL PELO TIBET LIVRE

OS CANDIDATOS A PRESIDENTE E A LEITURA NO BRASIL

Ao Senador Cristovam Buarque.

Marcelino Rodriguez

Não vi ainda nenhum dos candidatos, nem mesmo a Marina Silva, de quem mais espero ouvir algum tipo de novidade, falar do maior buraco negro que há no Brasil, que afeta todos os setores da economia, tanto os legais quanto os ilegais, visíveis e invisíveis: a cultura e a educação dos brasileiros. Será que eles sabem o país que vivem? Se sabem e e não falam, pecam por omissão e ignorância, dois pecados. O primeiro anda esquecido como pecado e o segundo é hediondo, porque é consentido. Porém, o IDH (indíce de desenvolvimento humano) do Brasil é dos piores do mundo.

Para usar uma metáfora, vamos imaginar a cena. Num reino de tão tão distante chegaram as maiores tecnologias e a economia cresceu diminuindo o número de famintos de alguns milhões para outros milhões a menos, mesmo sendo um reino cercado de comida e frutas por todos os lados. Apodrecem lugares vazios e não utilizados, assim como apodrecem milhões de nativos, jovens e velhos, no desespero, quase ensadecidos ou usando estranhas substâncias.
O que ocorre é que nesse reino a população pouco sabe fazer uso do alfabeto e o livro que é o que desenvolve as mentes, não é ainda conhecido por noventa e cinco por cento da população. As gentes do reino em geral pensam que o livro é uma espécie de artefato pouco atraente para por na prateleira, preferindo símbolos primitivos e coloridos que não são necessários interpretar ou escrever, atividades essas que no reino de tão tão distante somente cinco por cento da população tem acesso.

Todas as civilizações republicanas do sistema solar sabem que o primeiro fator de desenvolvimento de uma população é o livro, gerador de conhecimento, que é o que separa o reino humano dos outros bichos do planeta. Sem conhecimento o homem e os outros seres biológicos tem poucas diferenças. Não existe racionalidade sem cultivo. Sem o livro disseminado, o povo é ignorante. Levem em certos lugares do Nordeste um quadro original de Salvador Dali e uma garrafa de aguardente que noventa por cento dos habitantes irão preferir o aguardente, que sem dúvida proporciona prazer mais imediato uma vez que no país poucos são os cérebros desenvolvidos ou com senso estético.

Sem cérebros de qualidade, as máquinas operam mal, os serviços públicos operam mal, os crimes hediondos crescem,
a comunicação dos nativos é precária e , consequentemente, não disseminando o livro como combustível do ser, teremos sempre nesse reino de tão tão distante milhões de escolas que não ensinam o fundamental: para que serve esse misterioso objeto, o livro? Enquanto os brasileiros não souberem e amarem esse objeto será sempre um povo de desenvolvimento humano fraco no sistema solar, pouco valorizado como gente no mercado internacional e causando prejuízos ao mercado interno.

Gostaria de saber dos candidatos o que eles pensam de querer governar um povo ignorante? Será divertido saber que para cada intelectual tem cem mil tolos? Eles gostam disso? Como eles se sentem quando os países do exterior apontam a educação (leia-se capacidade de ler, interpretar e interagir na realidade) do país como das piores do mundo?
Ah, minha gente, o livro é mais importante que as escolas. Livro é cimento. È alimento. È vida. Ficaria mais feliz se a preocupação dos governantes fossem ensinar DE FATO os brasileiros respeitarem o livro, o conhecimento
e os intelectuais, que são a vanguarda da espécie humana. Não se fabricam mentes desenvolvidas sem leitura, que é o que falta nas escolas do país.

Queria saber como os candidatos se sentem indo governar futuramente um povo mentalmente subdesenvolvido.
Um povo que ainda raciociona como no tempo da caça e pesca. Não quero saber de aumentar escolas ou professsores e a estupidez continuar a mesma: um povo sem cultura geral. Os brasileiros vivem e morrem sem saber que a verdade é a beleza e a beleza é a verdade. Infelizmente, isso foi dito por um poeta ingles, Jonh Keats. E para entender isso, em grande parte é preciso saber interpretar o mundo que nos cerca, com palavras, com sentimentos, com poesia. Que vem dos livros.

Queria saber dos candidatos qual é a política do livro ou da leitura no país, inferior per capita a toda America Latina.
Sem isso, não acho nada de nenhum deles. Meros demagogos sem compromisso real com o futuro.

Diretos Reservados.

SÁBADO, 22 DE MAIO, TEMPO PRESENTE

Marcelino Rodriguez

Dia frio e solitário. Estou aqui na viagem escura e estranha desses relatos que nem sei onde irão me levar. È estranho quando nossos pais morreram e não temos mais ninguém. Esses últimos dias tem sido bastantes paradoxais para mim. Sinto-me amparado por Deus e ao mesmo tempo só nessa amplidão. Hoje resolvi tomar duas cervejas porque o medo da pressão estava me deixando muito hipocondríaco. Deu certo. Fiquei menos tenso e dormi um pouco pela tarde. A terra por vezes é como um imenso exílio. Quem suportaria a solidão com a divindade? Ò Deus, levai meu barco tão pequeno no teu mar tão imenso!Eu queria dividir qualquer coisa em qualquer lugar com qualquer pessoa, mas o que tenho agora é essa noite plácida e silenciosa. Assim como não me buscam, ando desistente de buscar gente. Hoje em dia, raramente é possível um encontro. Às vezes eu me sinto como se estivesse que estar em outro lugar, não aqui, mas também não sei aonde. Ou talvez estar de outra maneira, talvez com outra pele. As vezes sou um peso para o que está dentro de mim.
Isso que está dentro de mim é capaz de voar.

TEMPO PRESENTE, 6 DE JUNHO, MADRUGADA

Marcelino Rodriguez

Acordo na madrugada com o corpo e a alma pedindo amor, em vão. Ligo a Net para viver seu mundo fantástico. Minha vida traida. Quantas e quantas noites não passei vendo a felicidade solitária dos slides? Entre as vagas esperanças de equilibrio e as preocupações financeiras vai indo minha vida. Ninguém se importa. Fiquei ” amigo” de algumas atrizes famosas, mas amizade online tem muito de ilusão.E se você parece ser desconhecido na área artistica nem pense que te darão atenção. O que importa é aparecer, mas do que ser. Não se sabe, nesse país, o que se é. Estamos numa grande ilha fantasma no meio da civilização. Cortei um escritor pateta dos meus contatos que não sabia se comunicar. Nem troca livros, nem idéias. O individualismo é típico do subdesenvolvimento. Virei um mundo quase autônomo, um deus desconhecido e obscuro sentindo a metafísica do mundo. Não posso dizer nem que sou bom ou ruim. Talvez neutro, talvez não seja. Sou algo que vai acontecendo na noite, um bicho da noite estranhando as ilusões de um videogame. Minha espécie talvez tenha enlouquecido ou se extinguido. Sou o último. Personagem monossilábico do cinema dos anjos procurando minha mãe ou um igual.

Direitos Reservados
TEMPO PRESENTE, 2 DE JULHO, 2010-07-02, 1:58

Pregando no deserto é eu estar aqui, será? Acordei com aquele frio que sinto no corpo da alma, que é esse de saber-se e sentir-se num mundo hostil e indiferente. Já se passam dois meses quase que estou aqui, que na verdade nem me recordo mais como isso começou, a vida travou, fiquei sem entender minha solidão, e busquei a viajar no tempo para entender minha história e contá-la, porque sendo eu quem sou, minha história é parte da história do mundo e da aldeia que vivo. Nessa aldeia em particular que foi onde meu pai conheceu minha mãe, as pessoas nem sabem ainda direito o que é um autor de livros, mas pensam que sabem. Como lidam pouco com o alfabeto e o saber, o poder que possuem de interpretar a realidade é escasso. No entanto, são de fazer um barulho danado por conta de futebol, como se futebol fosse mais importante do que acabar com a fome, a violência e o frio dos miseráveis. Pura falta de entendimento. Mas no geral em quase toda parte do mundo cruel impera a indiferença com o alheio sentimento. Já disseram-me que as pessoas pisam nos sonhos das outras, como se a vida fosse algo mais do que um sonho compartilhado. No entanto,. Nessa sobrevivência de mim mesmo, desacreditado, sozinho, sem freqüentação humana praticamente, num combate mudo a sós e com Deus, está o melhor, o mais nobre de mim, o inigualável. Fácil ser grande quando o “mundo” já te reconheceu como um dos seus, quando te procuram e todos querem saber o que você acha do preço do tomate e tudo que você fala é incrível, você é sempre gracioso e estás protegido por uma conta bancária gordurosa. A grandeza mesmo é essa de agora, quando o grande silêncio te cerca, a inquietação do futuro te preocupa o semblante, a certeza que não és tão amado quanto gostaria o constrange e prossegues, impávido e incerto, apenas porque não saberia, ou não sabes, fazer outra coisa senão prosseguir, porque o mundo é apenas um pouco menor que seu coração e ele não te conseguirá esmagar. Não sem contenda. Uma hora minhas palavras, que na verdade são um chamado, encantarão as feras se aos vivos humanos não comoverem ou moverem.

ATROPELADO POR FERREIRA GULLAR

Marcelino Rodriguez

Algumas poucas vezes procurei arrumar alianças entre os famosos do mundo literário, mas essa selva é tão escura quanto qualquer outra. Em parte, isso se deve a que os que parecem bem sucedidos no Brasil são muito assediados. È como se fossem dois países, um dos bem sucedidos, que se comunicam entre si e criam seus feudos e o outro dos cidadãos comuns, que passam a ser vistos como meros consumidores.

Dá até pena quando pensamos que o interesse é sempre a moeda de troca e se tem um defeito que não possuo em grande medida é ser interesseiro. Creio na graça e na riqueza intrínseca dos sentimentos verdadeiros.

Meu trabalho, porém, valia tentar ultrapassar a barreira da timidez.

Fui num envento onde estava o poeta na Zona Sul levando meu primeiro livro. Num intervalo de seu recital e dos autófrafos fui lá e entreguei meu livro em mãos.

— Por favor, Gullar, não deixa de ler hein?

Ele me olhou, com razão meio irritado, dada à insistência, pois havia outros tantos trabalhos em suas mãos.

— Pode deixar que vou ler — disse.

Fiquei um tanto constrangido de ter duvidado dele e me dei vagando solitário e anônimo pelo evento que continuava. Um pouco de tempo depois, senti um esbarrão em mim e quase cai no chão com outro corpo em cima do meu. Era o próprio Ferreira Gullar, acanhado e pedindo desculpas.

Disse-lhe que tudo bem e fiquei aborrecido com minha existência e a maneira constrangedora de certos modos das coisas acontecerem comigo. Acho que cerca de um mês depois recebi um bilhete de Gullar incentivando minha carreira. “Não há dúvidas de que você é um escritor. Um poeta”.

Essa foi uma das maiores pequenas glórias da
minha carreira literária. Como era o livro de um jovem não me fiz de rogado de entender que eu tinha lá meu jeito de fazer literatura. E abandonei de saber a opinião dos famosos desde então. A de Ferreira Gullar me bastava porque assim como os açougueiros os poetas se sabem de longe.

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3 thoughts on “TRECHO DO LIVRO “O Filho de Lady Maria”

  1. Seu texto se refere ao mal-estar humano e social profundo, ocasionado pela crise contemporânea, onde viver se torna cada vez mais um conflito de interesses e as pessoas estão se sentindo cada dia mais solitárias, irritadas, violentas e intolerantes. O homem atual, busca desesperadamente o TER e o PODER e se esquece de SER e dos DEVERES. Essa é uma nova concepção de homem e de mundo e a marca de um novo tempo, em que as pessoas se sentem solitárias mesmo estando no meio de uma multidão. É preciso resgatar a unidade do Ser, construindo uma vida para o bem, fraterna e solidária, procurando solucionar problemas encarando o mundo sem desânimos e com mais confiança.

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  2. Folgo em saber q o meu amigo de alma, é um iniciado em budismo Tibetano, do qual sou adepta tambem.
    Não que eu seja contrao cristo, muito ao contrario, é um filho de luz da qual passou por esta terra.
    Mas o Tebet, o budismo é a imensidão silenciosa q nos faz meditar e crescer no infinito.
    Sem o Tibet realmente o mundo ficou mais triste e mais feio. Falta nos a iluminação. A luz.

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