O TIGRE E SUA BELEZA

Madrugada dessas, o dia amanhecendo, eu estudando o Tyger de William
Blake pelo smartphone, para em parte justificar o título desses relatos. Quando dei por mim que, naquele mesmo momento terroristas, patifes, psicopatas, endemoniados e toda mais uma diavoleria estariam também despertando para seus crimes e mais coisas hediondas, não pude deixar de sentir uma ternura pela minha pessoa, tantas vezes ignorada nas suas melhores intenções que acabei optando por uma vida semi-reclusa, no próprio jardim de minha alma, que é de onde vem os melhores perfumes. Não tenho razão?
Quem mais, nessa planeta macabro, estaria com tal preocupação? Estudar Blake?
Onde estão meus irmãos? No atual estágio do mundo, a coisa mais misteriosa de se encontrar é uma boa pessoa. Eu me esforço meu tanto para ser; insistir em escrever num mundo onde cada vez se lê menos e onde a burrice é incentivada ajuda-me a lembrar que não preciso fazer parte da manada,
que vive sem pé nem cabeça sobretudo em países mediócres que não
ensinam seus jovens o hábito de ler cedo. Porque o homem é reflexo de
sua capacidade ou não de perceber a estética do mundo. Para um homem
comum, um tigre é apenas um tigre. Para um homem com sensibilidade
educada, um tigre é um espetáculo de estética, simetria, força, beleza, explendor, arte, exibicionismo, matemática e sobretudo poesia, da melhor e mais selvagem poesia. Quem poderia duvidar que somente um ser divino poderia criar um Tigre?

Direitos Reservados – trecho do livro Tigre de Deus

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