O ANALFABETISMO EMOCIONAL

O ANALFABETISMO EMOCIONAL

Marcelino Rodriguez

O mais doloroso de todos os analfabetismos dos quais o Brasil sofre de forma pungente é o analfabetismo emocional. Não se gosta de gente no país. Gosta-se de forma apenas primária, as vezes da família e dos amigos, mas basta chegar um estranho no grupo que ao invés das boas vindas, aquela que antigamente se dava ao novo coleguinha na sala de aula, os nativos costumam nem ver o recém-chegado, geralmente um portador de novos potenciais, com um silêncio e uma indiferença que seria cômica se não fosse trágica. Valor subjetivo das pessoas é algo que ainda não faz parte do entendimento dos nacionais do país verde e amarelo. O que se passa?

Na verdade, todo mundo quer ser rei e ter seu feudo de influência, de preferência sem estudar nada, nem se preparar para exercer o domínio da coroa. É o país do “minimo esforço”. A coisa em pouco tempo terá de vir pronta para os brasileiros, pois em um tempo médio será impossível construir novos potenciais de valor, posto que as pessoas, sobretudo se parecerem “pobres” e sem protetores ficarão a margem dos processos criativo e produtivo, sem achar por onde exercerem seus potenciais, que aos poucos, o atual mercado da cultura e da inteligência está ficando cada vez mais entregue a pessoas que deveriam estar em outro lugar mais técnico, e não onde deveria se exercer o valor e as potencialidades humanas. O resultado disso é que os numeros que costumam falar sobre educação não bate com a realidade que vemos, todos os dias, nas ruas e nos noticiários.

Aquele sentimento primário que costumávamos aprender no jardim da infância, de receber e acolher o outro, está se perdendo. Acho que as máquinas estão ensinando a humanidade a ser cada vez mais fria e técnica, em detrimento do valor e do sentir.

Para usar uma parábola ao contrário, num incêndio no país, as pessoas procurariam salvar os bens primeiros, para depois salvar as pessoas. Inverteu-se aqui de forma estúpida a ordem das prioridades. O resultado disso é que cada vez ficamos mais “apenas seres” e menos humanos. Uma população de pessoas que jamais falaria a frase de Babete, a cozinheira francesa, que ganhou na loteria e gastou seu dinheiro todo fazendo um belo banquete e disse “permitam que eu dê o melhor de mim.” Aqui pouca gente pensa em dar ou fazer alguma coisa para os outros ou para a republica. Isso ainda está um pouco acima da imensa maioria do povo. O amor ao outro ainda não foi ensinado, nem em casa nem nas escolas.

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