DIA DOS NAMORADOS

Marcelino Rodriguez

De alguns anos pra cá, esse dia que foi instituido dia dos namorados tem feito-me surpresas estranhas. Num ano, alguém decidiu terminar o namoro nesse dia, numa ironia macabra.
Mas hoje foi tudo diferente…
Fui conhecer alguém, combinado assim de última hora. Ambos talvez fugindo de passar só a data aonde convencionalmente uns passam trocando beijos e carícias.
Se há uma coisa misteriosa é quando encontramos alguém. Digo: quando encontramos alguém que parece que faz sentido. Ainda mais quando esse alguém porta fatais olhos e cabelos negros contrastando com a pele alva.
Acredito que tremi nas bases; eu que já ando ferido e, pensei, insensível.
Mais do que bonita, é uma mulher…
Como explicar?
Tive que domar meus impulsos de várias ordens.
Quando tocou- me com as mãos, parte de mim se encolheu de medo. Sinal de alarme.
Parecia por horas que nela estava concentrado tudo que de mais bonito ainda consigo sentir.
Sim, eu conheci muita gente depois que fiquei só.
Mas esse encontro ensinou-me a diferença entre sentir e conquistar.
É difícil conquistar alguém quando se é tocado.
As armas ficam depostas.
Eu falava para que meu silêncio não traísse-me.
O fundo silêncio comovido de alguém que viu a imagem de alguém que julgara impossível existir.
E que, entanto, conquistou minha rendição sem qualquer combate.
E todas essas flores agora só pedem que ela as trate bem, para se tornar dona do jardim.

12/06/2002

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