O NINJA

Marcelino Rodriguez

Quando ele chegou naquela cidade de óculos e com menos de dois metros, magro quase, ninguém desconfiou que se tratava de um ninja. Em certos lugares,  dependendo do desenvolvimento mental da população, um ninja só é conhecido se tiver de máscara. Um jovem sagaz, todavia, percebendo que aquele homem tinha um jeito diferente de pegar água no poço, o chamou um dia de mestre, desesperado que estava por resolver um problema que o afligia.

— Mestre, bom dia, preciso que o senhor me ajude.

— O que foi, meu jovem, não sou tão velho assim. Me chamo Jonas.

— Eu estou ficando doente por causa de uma mulher. Ela dizia que gostava de mim, vivia me dando atenção e depois que entreguei o coração, o corpo e alma, ela passou a me tratar de forme displicente. Virei o dois de copas.

— Meu jovem, você não achou uma mulher. Achou um dragão.

— Como assim?

— Os dragões às vezes vem disfarçados de mulheres. Nem sempre eles aparecem cuspindo vento, embora também existam esses que soltam rajadas fabulosas de fogo pela boca.

O jovem refletiu e viu que aquele homem acima de qualquer suspeita era um sábio de potência infinita. Logo, toda província ficou sabendo não apenas que tinha um sábio na cidade, como que os dragões se disfarçam de mulher.

27.02.2016

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Texto do livro “A Moça Que Lia Romances Água Com Açúcar”, 1ª edição

 

 

 

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